Governança de dados: como estruturar processos e garantir segurança

Saiba como estruturar processos para segurança, eficiência e conformidade com a LGPD.

A quantidade de dados gerados pelas empresas nunca foi tão grande — e nem tão estratégica. Com o aumento exponencial da disponibilidade de informações e a aceleração da digitalização, a governança de dados tornou-se um pilar essencial para garantir segurança, eficiência e conformidade regulatória. Estruturar uma política de governança de dados eficaz é fundamental, por exemplo, para adequar os processos da empresa às regras estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Os benefícios, no entanto, não ficam limitados à gestão dos riscos: ao investir em qualidade, integridade e usabilidade das informações, as organizações têm a oportunidade de elevar a eficiência operacional, fomentar a inovação e transformar dados em ativos estratégicos para a tomada de decisões.

No entanto, estruturar uma governança eficaz vai além do simples controle de acessos ou da proteção contra vazamentos. Trata-se de estabelecer políticas, metodologias e tecnologias que assegurem a qualidade, integridade e usabilidade das informações, permitindo que os dados sejam um ativo estratégico para a tomada de decisões. Continue a leitura! Neste artigo, apresentamos boas práticas de governança de dados, aliando medidas preventivas à flexibilidade necessária para acompanhar a evolução tecnológica.

O que é governança de dados e por que ela é fundamental?

A governança de dados é o conjunto de processos, políticas e tecnologias que garantem a qualidade, segurança, conformidade e usabilidade das informações dentro de uma organização. Hoje, as informações estão entre os ativos mais valiosos para qualquer negócio, exigindo atenção especial à forma como dados são usados pelas empresas, tanto no sentido de extrair insights valiosos quanto em relação à proteção contra vazamentos ou violações cibernéticas.

Por conta desse contexto, a governança de dados está diretamente ligada à segurança da informação, pois é ela que define as diretrizes de proteção contra acessos não autorizados, bem como os mecanismos de ação em caso de perdas e vazamentos. Sem um controle adequado, informações importantes podem ficar expostas a ameaças como ataques cibernéticos, fraudes e erros internos, comprometendo a integridade dos sistemas e gerando impactos financeiros e reputacionais.

Além da segurança, a governança também se relaciona com compliance e conformidade regulatória. Com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber), no Brasil, e o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), na Europa, as empresas precisam garantir que os dados dos clientes e parceiros sejam coletados, armazenados e processados de forma transparente e segura. O não cumprimento dessas exigências pode resultar em multas elevadas, sanções legais e perda de credibilidade no mercado.

Para atender a esses requisitos, um modelo eficaz de governança precisa estabelecer:

  • políticas de acesso e controle: definição clara sobre quais usuários podem visualizar, modificar ou compartilhar determinados conjuntos de dados;
  • criptografia e anonimização: estratégias para proteger informações sensíveis, reduzindo os riscos em caso de vazamento;
  • monitoramento contínuo e auditorias: acompanhamento das movimentações de dados e revisões periódicas para detectar falhas e corrigir vulnerabilidades;
  • gestão do ciclo de vida dos dados: estabelecimento de regras para a retenção, arquivamento e descarte seguro das informações, conforme requisitos regulatórios.

Além da proteção e conformidade, a governança de dados desempenha um papel essencial na eficiência e competitividade das empresas. Organizações que não possuem processos bem definidos para gerenciar seus dados frequentemente enfrentam erros, redundâncias e inconsistências, dificultando a análise de informações e a tomada de decisão.

Quais são os benefícios da governança de dados?

Com um modelo estruturado de governança, é possível melhorar a qualidade dos dados à disposição das equipes; aumentar a produtividade; reduzir custos; potencializar a inteligência de negócios – business intelligence (BI); reduzir custos operacionais. Tudo isso gera resultado tangível para as empresas.

Confira os principais benefícios da governança de dados!

Segurança reforçada e mitigação de riscos

A implementação de políticas robustas de governança reduz as chances de vazamentos, acessos não autorizados, ataques cibernéticos e outros tipos de incidentes de segurança. Com mecanismos como criptografia, controle de acessos, auditorias frequentes e monitoramento contínuo, as empresas conseguem proteger informações sensíveis e evitar prejuízos financeiros e reputacionais.

Conformidade regulatória e redução de penalidades

Com regulamentações como a LGPD e GDPR, o não cumprimento das normas pode gerar multas milionárias, restrições operacionais e perda de credibilidade. A governança de dados garante que todas as práticas da empresa estejam em conformidade com exigências legais, evitando sanções e assegurando transparência no uso das informações.

Maior qualidade e confiabilidade dos dados

Dados duplicados, inconsistentes ou desatualizados podem comprometer análises e levar a decisões estratégicas equivocadas. A governança melhora a organização, padronização e validação dos dados, garantindo que as informações sejam precisas, confiáveis e acessíveis para todos os setores da empresa.

Eficiência operacional e redução de custos

A falta de processos estruturados gera desperdício de tempo e recursos com retrabalho, armazenamentos desnecessários e falhas na gestão da informação. A governança otimiza fluxos de trabalho, automatiza a administração de dados e melhora a produtividade das equipes, reduzindo custos operacionais.

Tomada de decisão mais ágil e estratégica

Com dados bem estruturados e acessíveis, gestores podem realizar análises mais rápidas e embasadas, identificando tendências de mercado, padrões de comportamento dos clientes e oportunidades de crescimento. A governança de dados potencializa iniciativas de Business Intelligence (BI) e Data Analytics, ampliando a vantagem competitiva da empresa.

Fomento à inovação e novos modelos de negócios

Empresas que dominam a gestão de seus dados podem explorar novas tecnologias, como inteligência artificial e aprendizado de máquina, para gerar insights estratégicos, desenvolver novos produtos e serviços e aprimorar a experiência do cliente. A governança permite uma integração eficiente de dados entre diferentes setores e parceiros de negócios, possibilitando a criação de ecossistemas digitais mais avançados.

Maior transparência e confiança com clientes e parceiros

Em um cenário onde a privacidade e o uso ético dos dados são cada vez mais valorizados, a governança fortalece a relação de confiança com clientes, investidores e stakeholders. Ao garantir transparência no manuseio das informações, as empresas demonstram responsabilidade e compromisso com a proteção dos dados, consolidando sua reputação no mercado.

Quais são os fundamentos (pilares) da governança de dados?

A governança de dados é sustentada por um conjunto de princípios essenciais que garantem a qualidade, segurança, conformidade e confiabilidade das informações dentro de uma organização. Esses pilares estruturam o uso estratégico dos dados, assegurando que sejam gerenciados de forma eficiente, segura e alinhada às regulamentações vigentes. Conheça os principais fundamentos da governança de dados e sua importância para as empresas.

1. Qualidade

A base de qualquer estratégia de governança de dados é a qualidade da informação. Dados inconsistentes, incompletos ou imprecisos podem comprometer análises e levar a decisões equivocadas. Para evitar esse problema, a governança deve garantir que as informações sejam:

  • precisas – livres de erros e redundâncias;
  • completas – contendo todas as informações necessárias para análise e operação;
  • consistentes – sem contradições entre diferentes fontes ou sistemas;
  • atualizadas – revisados regularmente para refletir mudanças no contexto de negócios.

2. Segurança e privacidade

A proteção dos dados é um dos principais desafios enfrentados pelas empresas. Com ameaças crescentes como ataques cibernéticos, vazamentos e acessos indevidos, é fundamental implementar mecanismos de proteção e cibersegurança, como:

  • controle de acessos – definição de permissões para garantir que apenas usuários autorizados tenham acesso a informações sensíveis;
  • criptografia – uso de tecnologias para proteger dados armazenados e em trânsito;
  • anonimização – ocultação de informações sensíveis para minimizar riscos em caso de vazamento;
  • monitoramento contínuo – implementação de sistemas para detectar e responder rapidamente a incidentes de segurança.

3. Conformidade e regulamentação

Além da segurança, a privacidade dos dados deve ser garantida por meio da conformidade com regulamentações como LGPD e GDPR, assegurando que informações pessoais sejam utilizadas com transparência e consentimento do usuário.

O não cumprimento das leis de proteção de dados pode resultar em multas, processos judiciais e danos à reputação da empresa. Para isso, é necessário implementar políticas claras de coleta, armazenamento e uso de informações, além de mecanismos de auditoria e controle para garantir a conformidade contínua.

4. Responsabilidade

A governança de dados exige clareza na distribuição de responsabilidades dentro da organização. Cada profissional ou área deve saber qual é seu papel na gestão dos dados, evitando conflitos e garantindo processos mais eficientes. Algumas funções-chave incluem:

  • Chief Data Officer (CDO) – responsável pela estratégia de governança de dados na empresa;
  • gestores de dados– responsáveis por supervisionar a qualidade e integridade das informações;
  • equipes de TI e segurança da informação – encarregadas da proteção e monitoramento dos dados;
  • colaboradores e usuários finais – treinados para lidar com dados de maneira segura e ética.

5. Ética

Em um ambiente onde os dados são ativos estratégicos, é essencial que seu uso respeite princípios éticos e boas práticas de privacidade. A governança de dados deve garantir que a empresa:

  • utilize informações de forma transparente, respeitando os direitos dos titulares;
  • evite discriminação e vieses algorítmicos ao processar dados para análise ou inteligência artificial;
  • garanta o direito à privacidade, permitindo que usuários tenham controle sobre suas informações;
  • evite a comercialização indevida de dados, mantendo um compromisso com a confiança dos clientes e parceiros.

6. Confiança

A confiança nos dados depende da transparência sobre sua origem, alterações e uso ao longo do tempo. Para isso, a governança deve assegurar que a organização tenha total rastreabilidade sobre suas informações, garantindo que:

  • a origem dos dados seja conhecida e documentada;
  • os dados sejam monitorados, acompanhando todas as alterações realizadas;
  • os registros sejam protegidos contra manipulações indevidas, garantindo integridade e confiabilidade.

O que é e como elaborar uma política de governança de dados?

Uma política de governança de dados é um conjunto de diretrizes, regras e processos que orientam o gerenciamento dos dados dentro de uma organização. Ela estabelece padrões para a coleta, armazenamento, uso, compartilhamento e proteção das informações, garantindo que os dados sejam gerenciados de forma segura, ética e em conformidade com regulamentações.

A seguir, apresentamos os passos essenciais para criar e implementar uma política de governança de dados estruturada e eficiente.

1. Definir objetivos e escopo da política

O primeiro passo para estruturar uma política de governança de dados é definir os objetivos e o escopo da iniciativa. Confira algumas perguntas fundamentais que precisam ser consideradas nessa etapa.

  • Qual é o propósito da governança de dados na empresa? Exemplo: garantir conformidade regulatória, melhorar a qualidade dos dados, reduzir riscos operacionais.
  • Quais tipos de dados serão abrangidos? Exemplo: dados de clientes, fornecedores, funcionários, dados financeiros, operacionais e estratégicos.
  • Quais departamentos e equipes estarão envolvidos? Exemplo: TI, jurídico, compliance, marketing, RH, financeiro.

2. Estabelecer diretrizes para a segurança e o controle de acessos

Garantir a segurança dos dados é um dos principais objetivos da governança. Para isso, a política deve definir:

  • quem pode acessar os dados — permissões e restrições com base em funções e níveis hierárquicos;
  • como os dados serão protegidos — implementação de criptografia, anonimização e backups periódicos;
  • quais são os protocolos em caso de incidentes — procedimentos de resposta a vazamentos, ataques cibernéticos e acessos indevidos.

O uso de ferramentas de autenticação, monitoramento contínuo e auditoria também deve ser incluído para reforçar a proteção dos dados sensíveis.

3. Garantir conformidade regulatória e boas práticas de compliance

Para evitar penalidades e fortalecer a transparência, a política de governança de dados deve estar alinhada às regulamentações vigentes, considerando os seguintes pontos:

  • atendimento às normas da LGPD, GDPR ou outras legislações aplicáveis;
  • garantia de consentimento para coleta e uso de dados pessoais;
  • definição de processos para atender solicitações dos titulares de dados (exclusão, correção, portabilidade);
  • estabelecimento de relatórios de conformidade para auditorias internas e externas.

4. Definir processos para qualidade e integridade dos dados

A política de governança deve incluir diretrizes para garantir que os dados sejam precisos, completos e confiáveis. Para isso, recomenda-se:

  • padronização dos formatos e nomenclaturas dos dados para evitar inconsistências;
  • processos de validação e atualização contínua para garantir informações sempre corretas e atualizadas;
  • eliminação de dados duplicados e inconsistentes para otimizar armazenamento e análise;
  • definição de um ciclo de vida dos dados, com regras para retenção, arquivamento e descarte seguro.

5. Definir papéis e responsabilidades dentro da organização

Para que a política de governança seja eficaz, é fundamental designar responsáveis por sua implementação e monitoramento. A clareza nos papéis evita conflitos de responsabilidade e melhora a eficiência na aplicação das diretrizes.

6. Implementar processos de monitoramento e auditoria

Para garantir que a política de governança de dados seja aplicada de maneira eficaz, é essencial estabelecer mecanismos contínuos de monitoramento e auditoria. Isso envolve:

  • acompanhamento de métricas e indicadores de desempenho (exemplo: volume de dados acessados, frequência de atualizações, conformidade regulatória);
  • auditorias regulares para identificar falhas e riscos;
  • testes de segurança e simulações de ataques para avaliar vulnerabilidades;
  • planos de ação para ajustes e melhorias contínuas.

7. Criar um plano de comunicação e treinamento

A governança de dados só será eficaz se todos os colaboradores estiverem cientes e engajados na aplicação das diretrizes. Confira algumas medidas que podem ser adotadas nesta etapa.

  • Criar um manual acessível da política de governança, detalhando processos e responsabilidades;
  • Realizar treinamentos regulares, especialmente para equipes que lidam diretamente com dados sensíveis;
  • Incentivar uma cultura organizacional voltada à segurança da informação e boas práticas de compliance.

Quais são os principais desafios da governança de dados nas empresas?

A governança de dados enfrenta obstáculos que vão desde a complexidade no gerenciamento das informações até desafios regulatórios e de segurança.

  • Gerenciamento de grandes volumes de dados – empresas lidam com informações dispersas e desestruturadas, exigindo processos eficazes de organização e análise.
  • Falta de processos estruturados para segurança – vazamentos e acessos indevidos são riscos constantes, exigindo criptografia, controle de acessos e monitoramento contínuo.
  • Conformidade regulatória – existe a necessidade de adaptação a leis e regras cada vez mais rigorosas voltadas à proteção de dados.
  • Aumento dos riscos operacionais – decisões baseadas em dados inconsistentes podem gerar prejuízos financeiros e estratégicos.
  • Integração entre sistemas e fontes de dados – a falta de padronização entre plataformas dificulta a unificação e a confiabilidade das informações.

Qual a relação entre governança de dados e gerenciamento de metadados?

O gerenciamento de metadados é um dos pilares fundamentais da governança de dados. Ele permite organizar, rastrear e garantir a confiabilidade das informações dentro de uma empresa.

Os metadados são informações estruturadas que descrevem características de um conjunto de dados. Eles funcionam como etiquetas que identificam a origem, o tipo, o formato e o contexto das informações. Exemplos de metadados incluem:

  • data e horário de criação ou modificação de um arquivo;
  • autor ou sistema responsável pela geração do dado;
  • formato e estrutura do conteúdo (ex: CSV, JSON, XML);
  • regras de armazenamento e arquivamento.

A governança de dados e o gerenciamento de metadados trabalham juntos para garantir a qualidade, segurança e rastreabilidade das informações. Enquanto a governança estabelece diretrizes e processos para o uso dos dados, os metadados viabilizam a aplicação dessas diretrizes de forma estruturada.

Em um cenário onde a digitalização e as regulamentações se tornam cada vez mais exigentes, a governança de dados é indispensável para reduzir riscos, melhorar a qualidade das informações e aprimorar a tomada de decisões. Quer implementar uma governança de dados eficiente e alinhada às necessidades do seu negócio? A equipe da act digital está pronta para ajudar na estruturação de processos, segurança da informação e conformidade regulatória. Entre em contato com a gente!

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